Aqui na Xerpa nós gostamos de medir o esforço das atividades usando Story Points, mas times recém formados ou com pouca experiência com esse modelo têm dificuldades em estimar usando pontos. Muitas vezes parece abstrato demais.

Pensando nisso, desenvolvi uma dinâmica para que o time possa montar o Seu Modelo de Referência, para começar a estimar usando Story Points. Tudo isso criado pelas mãos do próprio time.

Há um Modelo de Referência que ajuda o time a ter uma base de comparação para estimativas futuras. Remove a abstração e aumenta a precisão, porque é feito pelos integrantes do time. É uma dinâmica divertida e animada, muito melhor que montar um simples check-list.

Primeiro passo: alinhar o time sobre o que é esforço.

Gosto de trabalhar tangibilizando o que é esforço – sempre que possível, remova as abstrações das cabeças das pessoas. No flip-chart, vidro ou lousa, escreva como é possível estimar esforço usando esses três atributos:

  1. Complexibilidade: o termo é geralmente usado para caracterizar algo com muitas partes, onde essas partes interagem umas com as outras de várias maneiras. Então, ao estimar, leve em consideração a complexibilidade do seu sistema e se você tem os SKILLS necessários para a atividade.
  2. Habilidade: você se torna mais habilidoso com o treino. Então, pense em habilidade como a quantidade de vezes que você já fez aquilo, ou o tempo de experiência em fazer aquela atividade.
  3. Riscos: quão conhecida é aquela atividade? Temos dependências que precisam ser mapeadas? Corremos o risco de ser surpreendidos por algum escopo que não conseguimos mapear agora ou simplesmente é muito chato de fazer e pode te distrair? Esses são alguns exemplos que podem ser utilizados para mapear riscos.

Feito isso, você estará pronto para dar o próxima passo rumo à dinâmica em si.

Segundo passo: crie um Mapa de Histórias.

Na Xerpa também gostamos de definir Story Points com base na escala de Fibonacci. Não conhece?! Basta conferir mais detalhes clicando aqui.

Obs: Se alguém do time não conhecer a escala, é fundamental que você explique o conceito e porque ela cresce exponencialmente.

Então, monte um quadro com a escala de Fibonacci e deixe a escala de esforço bem evidente.

Será em cima desse quadro que o time mapeará as histórias, bugs ou tasks que gostariam de ver no seu futuro Modelo de Referência. Aqui eles irão registrar casos reais, de preferência que eles já tenham vivido na sua empresa e como times, e atividades anteriores que eles já tenham realizado.

Mas antes disso, teremos um rico brainstorming pela frente.

Terceiro passo: brainstorming de histórias.

É aqui que o time começa a documentar as histórias que irão compor o Modelo de Referência. Você irá precisar de:

  •      Um tanto de post-it;
  •      Canetas tipo Piloto (irá facilitar a leitura);
  •      Um cronômetro.

Vamos para a Action!

Cada membro do time deve preencher pelo menos 1 post-it com uma atividade real para cada valor da escala de Fibonacci do Mapa de Histórias. Dê 5 minutos para isso. Caso não tenha pelo menos um post-it de cada membro para cada valor da escala, repita novas rodadas de 2 minutos até conseguir.

Quarto passo: popular o Mapa de Histórias.

Neste passo, peça para que todos os membros do time coloquem seus post-its tentando deixar o mais próximo possível do valor da escala que você desenhou.

Se houverem especialidades diferentes no time, por exemplo, Backend, Frontend ou Design, utilize post-its de cores diferentes ou algum adesivo para sinalizar essa especialidade.

Feito isso, peça por um voluntário para cada especialidade. O papel desse voluntário é ler os seus post-its por valor da escala, e pedir para que os colegas de especialidade também comentem os seus outros post-its por valor de escala.

Atenção, esse momento é muito valioso. Na prática, é agora que o time irá calibrar o que é 3 Story Points para um ou 8 Story Points para outro. Deixe a conversa rolar solta até que eles cheguem em um consenso. Caso o time identifique que aquele post-it deveria estar com outro valor em Story Points, rasure o valor antigo e coloque o novo. Também posicione no lugar correto da escala. Depois do consenso, parta para o próximo post-it.

O time deve passar por todos os post-its e garantir que estão alinhados ao valor que cada história representa. Membros de diferente senioridade podem discordar, utilize as mesmas técnicas e conversas do Planning Poker para definir o valor final de uma história.

Quinto passo: Dot Voting para definir quais histórias entraram no Modelo de Referência.

Idealmente o time terá mais de um post-it por valor na escala Fibonacci. Então, eles precisarão escolher qual será a História de Usuário, Bug ou Task que gostariam de registrar no Modelo de Referência. Deixe que eles votem e se auto-organizem caso tenha ocorrido empate. Eles precisam escolher, por especialidade, apenas um post-it para compor o board do Modelo de Referência.

Sexto passo: montando o Board do Modelo de Referência.

Após escolhidos os post-its que irão representar cada valor da escala de Fibonacci, os membros do time, por especialidade, deverão colocar os post-its no Board do Modelo de Referência. Ele é uma lista simples, com cada valor da escala de Fibonacci em uma linha. Se você utilizar um board por time, lembre-se de separar por cores ou visualmente cada especialidade. Você também pode criar um board por especialidade.

Sétimo Passo: passe os post-its a limpo para garantir a boa visualização.

Os post-its são ótimos para deixar a dinâmica interativa e participativa. Porém, não são boas ferramentas para se ter uma boa visibilidade. Sendo assim, ao final da dinâmica, passe a limpo linha por linha para ter um Board bonito e visível.

O seu board ficará assim:

Obs: neste exemplo, deixei um post-it propositalmente no lugar de uma linha. Veja como a visualização daquele item é bem pior do que as dos demais itens do Modelo de Referência. Por isso é importante passar a limpo.

Oitavo passo: defina uma data para revisar o board.

É natural que o time evolua e que esse modelo de referência se torne ultrapassado com o tempo. Neste caso, defina com o time uma data viável para que esse quadro seja revisado ou até mesmo refeito. Utilize a dinâmica acima novamente para isso.

Obs: o board também poderá ser revisado caso o time sofre grandes mudanças de membros. A referência pode perder o sentido e refazer a dinâmica é uma boa prática.

Por fim: deixe o Board de Referência visível em cerimônias que envolverem estimativas.

Leve o quadro, tire uma foto e compartilhe com o time ou até mesmo digitalize. O mais importante é que o Modelo de Referência esteja sempre disponível para consulta dos membros dos times em qualquer cerimônia que for necessário estimar Story Points.

Está esperando o que para começar a estimar esforço com Story Points com mais precisão?

Compartilhe aqui os seus comentários. Vamos tornar essa discussão em uma troca de ideias rica e interessante 🙂

 

Sobre o autor:

Alex Ivonika

Alex Ivonika

Alex Ivonika tem 9 anos de experiência com tecnologia. Já foi premiado com melhor case mobile da América Latina pela MMA, melhor aplicativo para tablets pelo Tela Viva Móvel, já trabalhou na Startup do ano aleita pela LIDE e já teve 5 aplicativos em destaque na App Store. É palestrante e já participou de eventos importantes, como, Campus Party e TDC. Já deu aulas e palestras em instituições como, USP, ESPM e Instituo Mauá de Tecnologia. E ainda é mentor voluntário na aceleradora de startups LIGA Ventures. Hoje é Agile Coach na Xerpa, uma startup que está mudando o RH no Brasil.

Leader Coach®

Certified Agile Coach (CAC®)

Certified Scrum Master (CSM®)

Certified Scrum Product Owner (CSPO®)

Design Thinker

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