Artigo de Sara Alvez, Agile Coach da Massimus

Auto intitular-se “agilista” soa tão moderno como:  ser campeão olímpico, um campeão do UFC ou uma celebridade, mas o que realmente significa ser ágil?

Quando o conceito aterrissou em terras brasileiras, muitos interpretaram que estávamos livres de toda e qualquer documentação, o fim oficial da burocracia na TI! Entretanto, nos transformamos na documentação da aplicação, para toda vida. É possível argumentar que código também é documento. Fato, mas em que mundo paralelo temos tempo de analisar ou reaproveitar o nosso próprio código ou o de outro desenvolvedor com eficiência?  Não confie em sua memória, ela sempre falha.

Muitos refutaram as metodologias ágeis, alardeando que até os mínimos detalhes deveriam ser registrados em forma de documentação. Uma tonelada de papeis é extremamente cara, não roda como código, não é prática para consultar quando enfrentamos bugs em produção, não produz entrega de valor ao seus stakeholders. Entendimento do problema é só meia entrega, se é que isso existe.

Árduos defensores do SCRUM alegam que temos os backlogs, os gráficos de burndown e as cerimônias. Todas essas ferramentas não o transformam em um experiente “agilista” por milagre ou mágica. Há quem diga que, com essas ferramentas, temos gestão a vista, gerando transparência, portanto somos capazes de prever todas as incertezas do projeto. Talvez, mas as incertezas que ignoramos ou desconhecemos sempre nos surpreendem ou nos aterrorizam.

Dizem que só há duas certezas na vida: a morte e os impostos. Durante os jogos olímpicos foram adicionadas mais duas: Michael Phelps e Usain Bolt. Ambos aposentaram se. Não confie em seu ego, ele sempre falha.

Gosto muito de uma citação de Wyatt Earp[1]: “Fast is fine, but accuracy is everything. In a gun fight… You need to take your time in a hurry.”. Em uma tradução livre – Rápido é bom, mas exatidão é tudo. Num tiroteio …se está com pressa, vá devagar.

Temos nossas ferramentas e realizamos nossas cerimônias. Em analogia a frase de Earp, identificamos a arma e o tipo de munição adequados. Porém, também é igualmente importante conhecer outras condições para acertar o alvo. Precisamos conhecer as necessidades e desejos dos clientes, resolver o que impede a produção do time, estabelecer harmonia entre clientes e times – nem sempre falam a mesma língua, negociar e resolver conflitos a tempo e de modo satisfatório. Tudo isso é exatidão.

Há muitas interpretações e tropicalizações dos métodos Ágeis. Adaptar artefatos ao SCRUM, que atendem as necessidades dos stakeholders, não é um mal em si. Entretanto, exatidão também consiste em evitar o que largamente é praticado pelo mercado e que permite abrigar grandes distorções – SCRUM BUT. Tal adaptação gera um modelo híbrido confuso e ineficiente, unindo debaixo do mesmo teto modelos essencialmente divergentes: Cascata e Iterativo.  Pagamos caro e com consequências nefastas: Apagando fogo em Produção ou Perdido na Documentação.

[1] Wyatt Berry Stapp Earp (19/05/1848 – 13/01/ 1929) foi um jogador no Velho Oeste Americano, xerife do condado Pima e delegado adjunto da cidade Tombstone, Arizona.