Criado pelo brasileiro Paulo Caroli, o Lean Inception surge na confluência das técnicas do Design Thinking e do Lean Startup, e pode ser descrito como um método que busca alinhar pessoas visando o desenvolvimento de um produto de forma incremental. Ele é um workshop colaborativo que visa enxugar as inceptions na delimitação de MVPs – Minimum Viable Product (Produto Mínimo Viável, em português) sucessivos, cada vez melhores e mais adequados às solicitações dos clientes.

 

Entendendo o conceito de MVP

O conceito de MVP, o Produto Mínimo Viável, é central para a compreensão do Lean Inception, já que ele propõe uma mudança na noção de criação de um produto. O MVP não é parte de um produto, mas já é em si um produto minimamente funcional. Ou seja, pelo conceito de MVP não se deve buscar elaborar um projeto total e acabado, voltado para um produto já pensado em todas as suas funcionalidades. O que ocorre é um pensamento incremental, com a criação de MVPs que se sucedem uns aos outros, e que a cada lançamento incorporam novas funcionalidades.

O objetivo, portanto, é a entrega de resultados o quanto antes, de produtos funcionais cada vez melhores. Opta-se, assim, por entregas rápidas e frequentes, com o intuito de receber feedbacks o quanto antes e, assim, aprimorar os MVPs seguintes, incrementando-os de acordo com as respostas obtidas.

Para visualizarmos melhor o conceito de MVP, vamos recorrer ao exemplo do texto “Direto ao Ponto – 7 simples passos para alinhar o que vai no produto mínimo viável” disponibilizado na página caroli.org. Lá, contrapõe-se o estilo “direto ao ponto” ao “estilo tradicional” na criação de um produto cuja funcionalidade central seja “cortar grama”.

No Lean Inception, o primeiro MVP deve ser direto e certeiro e com foco no cumprimento da função solicitada: cortar a grama. Uma tesoura de poda, portanto, já é um excelente pontapé inicial, um exemplo de MVP 1. Lançado, testado e obtido o feedback, pode-se agora partir para a concepção do MVP seguinte, com mais funcionalidades. O MVP 2 pode, agora, ser um cortador de grama elétrico, que já tem como nova funcionalidade permitir ao usuário cortar a grama em pé ao invés de agachado. Diversos MVPs podem ser lançados na sequência, até que se chegue a um trator cortador de grama movido a gasolina.

Observa-se, portanto, que o MVP não é parte de um produto, mas sim um produto funcional, ainda que básico e com poucas funcionalidades no início, mas que é incrementado ao longo do processo. Ao invés de se partir de um conceito acabado de produto, com grande número de funcionalidades desde o início, adota-se uma visão aditiva e crescente, com lançamentos sucessivos.

 

Elaborando o MVP

O Lean Inception, como trouxemos, busca alinhar pessoas no desenvolvimento de um MVP. Por meio de um workshop colaborativo e participativo, uma série de técnicas e procedimentos são utilizados para se conceber um produto funcional.

Ao longo de alguns dias (no máximo 5 dias), a equipe que participa do projeto deve chegar à visão do produto, delimitar os objetivos deste produto, entender as necessidades e o perfil dos usuários, as funcionalidades que o produto deve oferecer, o risco e o esforço envolvido na realização de determinada tarefa e a delimitação de um cronograma para sua execução.

No texto “Direto ao Ponto”, estas tarefas são condensadas em 7 passos, que são os seguintes:

 

I – Escrever a visão do produto – é aqui que a visão do produto começa a ganhar corpo. A equipe envolvida deve, num quadro branco ou flipchart visível para todos, elaborar a seguinte frase:

Para (cliente final), cujo (problema que precisa ser resolvido), o (nome do produto) é um (nome do produto) que (benefício-chave, razão para adquiri-lo). Diferentemente da (alternativa da concorrência), o nosso produto (diferença-chave).

II – Definir o que o produto É – NÃO É – FAZ – NÃO FAZ – etapa importantíssima para que todos da equipe consigam alinhar a sua visão e conceitos sobre o produto. Ao delimitar, em equipe, o que um produto é ou não é, faz ou não faz, evitam-se visões dúbias e abertas. Todos passam a falar a “mesma língua”, o que aumenta a sinergia e traz melhores resultados.

III – Descrever as Personas – nesta etapa deve-se definir para quem determinado produto está sendo desenvolvido, qual o perfil do público-alvo. Para tanto, não basta uma descrição abstrata. Aqui, a proposta é trazer essa abstração para o papel, condensando-a na ideia de uma persona. A persona é uma espécie de “avatar”, alguém com nome, idade, gostos, dores etc. Essa etapa cria uma integração maior entre os membros da equipe, e lança as bases para a próxima etapa da inception, que é a delimitação das funcionalidades.

IV – Funcionalidades – “funcionalidade é a descrição de uma interação de um usuário com um produto”. É, portanto, algo simples e direto do tipo: cortar a grama, imprimir um boleto bancário, acessar o e-mail. Isso, primeiramente, é feito por meio de um brainstorm, em que todas as funcionalidades são delimitadas em um canvas comum, em ordem de prioridade. Feito isso, é hora de delimitar e ponderar como e se essas funcionalidades podem ser atingidas, quais os custos, desafios técnicos etc. Para tanto, são elaborados gráficos e tabelas no intuito de representar o nível de incerteza das funcionalidades, o valor de negócio, valor para o usuário etc. Assim a equipe consegue priorizar, estimar e planejar suas ações seguintes.

V – Mostrar as jornadas dos usuários – a jornada do usuário busca entender o dia-a-dia dos usuários, das personas anteriormente delimitadas. Busca-se entender o que as pessoas fazem no seu cotidiano e, principalmente, como as funcionalidades do produto a ser oferecido entram nessa jornada. Delimita-se, assim, em que momento do dia das personas anteriormente descritas o produto será utilizado e como será ele as beneficiará.

VI – Sequenciador de Funcionalidades – nesta etapa as funcionalidades são alinhadas e sequenciadas de forma a se planejar o lançamento dos MVP. Delimita-se quais as funcionalidades serão oferecidas em cada MVP, e já se planeja as funcionalidades que serão lançadas nos MVP seguintes.

VII – Canvas MVP – nesta etapa chega-se ao fechamento da inception. É aqui que tudo o que foi discutido ganhará um corpo propriamente dito, já pensando em seu desenvolvimento e lançamento. O Canvas divide-se em sete blocos e, cada um deles busca responder a certas perguntas. Resumidamente, deve-se responder:

 

1 – Qual a visão para o MVP da inception?

2 – Para quem é voltado o MVP e se é possível segmentar este grupo?

3 – Quais as jornadas são melhoradas com este MVP?

4 – Quais ações o MVP irá simplificar ou melhorar?

5 – Quais são os resultados esperados por este MVP?

6 – Como serão medidos os resultados do MVP, qual será a métrica usada?

7 – Qual o custo e a data prevista de entrega para o MVP?

Aprendendo o Lean Inception com quem sabe

O Lean Inception, portanto, é um método que busca acelerar as inceptions, trazendo maior sincronia e dinamicidade às equipes, dando maior celeridade à delimitação de um MVP. Foca-se na entrega de resultados e na elaboração produtos de forma incremental, sempre de acordo o feedback obtido.

Para quem busca uma visão mais completa do método, a Massimus oferece o curso “Alinhamento e construção do MVP a partir da Lean Inception”, ministrado pelo próprio Paulo Caroli. São aulas e exercícios no formato EAD que subsidiam os estudantes com teoria e valiosas dicas para a melhor elaboração do MVP. Para mais informações, Clique aqui.

× Como posso te ajudar?